A batalha do gelo nos polos

Foto: Camada de gelo no Ártico/2011. NASA/Digital Mapping System Team

A ação humana tem afetado há décadas a formação de gelo marítimo nos polos do planeta. E agora?

Um projeto do Volt Data Lab | set/2015

É amplamente comprovado que as temperaturas na Terra cresceram no último século, principalmente por conta da ação humana sobre o planeta — leia-se emissão de gases-estufa.

Segundo dados da Nasa, agência espacial norte-americana, a temperatura no planeta aumentou 0,8ºC de 1880 a 2013. Subiu também em 2014. A Organização das Nações Unidas (ONU) tem defendido ações e compromissos por parte de todos os países a fim de limitar o aumento nas temperaturas em até 2 ºC, para o bem do planeta — uma meta ambiciosa.

A principal causa apontada pelo Goddard Institute for Space Studies (GISS) da Nasa para a elevação das temperaturas tem sido a emissão de gases-estufa, principalmente o CO2 emitido por indústrias e veículos. Ou seja, é a atividade humana que diretamente tem contribuído para isso.

Gráfico 1 - Aquecimento Global

Mas, como as camadas de gelo marítimas dos pólos têm se comportado em meio a isso?

Um aumento inferior a 1ºC pode parecer pouco à primeira vista, mas os efeitos dessas temperaturas mais elevadas são bastante contundentes.

“Até mesmo um pequeno aumento na temperatura pode levar a um aquecimento maior com o tempo, fazendo das regiões polares as áreas mais sensíveis às mudanças climáticas na Terra”, explica o Centro Nacional de Informação de Gelo e Neve dos Estados Unidos (NSIDC), da Universidade do Colorado.

Antes de saber o que acontece com essas camadas de gelo, no entanto, precisamos reconhecer sua importância, especialmente quando se trata de aquecimento global.

Pesquisadores apontam, primeiramente, que as grandes calotas glaciais das regiões polares influenciam o clima global como um todo. Além disso, o gelo marítimo dessas regiões também afeta o movimento das correntes oceânicas, através de uma dinâmica conhecida como “circulação termohalina”, que leva água fria dos pólos para o equador e água quente do equador par aos pólos.

Por serem claras, refletem a luz solar para o espaço e impedem a absorção de energia, o que deixa a região mais fria. Em contrapartida, quando parte dessas geleiras se derrete por causa do aumento gradual da temperatura nas estações mais quentes do ano, a superfície absorve mais energia solar e as temperaturas se elevam ainda mais. Esse é um ciclo que se renova todo ano, inversamente entre o Ártico (norte) e a Antártida (sul) - ou seja, quando em um está mais quente (com camadas de gelo menores), o outro está mais frio (com camadas de gelo maiores).



Uma regiões do planeta que mais tem sofrido com os efeitos do aquecimento global, o Ártico vem perdendo mais de 4% de sua camada glacial por década nos últimos quarenta anos.

De acordo com o NSIDC, em fevereiro o gelo marítimo do Ártico atingiu 14,54 milhões de km2, seu menor nível já registrado - um mês que tradicionalmente registra o máximo da formação glacial nesse polo.

E isso é muito. Veja impressionante vídeo abaixo (em inglês), produzido pelo Centro Nacional para Educação em Ciência, Educação e Tecnologia (NCSLET) dos EUA, como a camada de gelo marítimo do Ártico foi perdendo tamanho e espessura.

Parte da legenda desse vídeo diz assim: "À medida que as mudanças climáticas progridem, a cobertura sasonal de gelo do Oceano Ártico está se tornando não apenas menos extensa, como também muito mais jovem e fina."

O NCSLET utilizou dados de extensão glacial Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos EUA, parte da NSIDC, e dados de idade do gelo dos acadêmicos C. Fowler, J. Maslanik, M. Tschudi da Universidade do Colorado.

Enquanto isso, o continente antártico na verdade ganhou um pouco de gelo nas últimas décadas. Mas isso não quer dizer que não haja problemas por lá por conta do aquecimento global, especialmente nos extremos do continente.

Como nota a ONG de preservação ambiental WWF, "grandes colunas de gelo do Ártico e da Antártida estão se desintegrando e se separando (de outras camadas maiores de gelo), como foi visto no famoso colapso da coluna de gelo Larsen B, na Antártida, em 2002."

O impressionante resultado do colapso da Larsen B - 3.250 km2 em apenas um mês - você pode ver abaixo na série de imagens da NASA.

Colapso da plataforma de gelo Larsen B, em 2002

Uma reportagem da Reuters de maio deste ano sobre uma pesquisa da Nasa dá conta do alarme sobre as condições das geleiras antárticas. "A pesquisa incidiu sobre um remanescente da chamada plataforma de gelo Larsen B, que existe há pelo menos 10.000 anos, mas ruiu parcialmente em 2002. O que resta abrange cerca de 1.600 quilômetros quadrados."

Esses colapsos de geleiras afetam os níveis do mar ao colocar mais gelo - que será derretido - nos oceanos. Cientistas não esperam que toda a geleira Larsen dure mais do que alguns anos.

Tabela Ártico vs Antártida

Fontes e observações

Esse projeto foi baseado amplamenta em dados sobre extesão de camadas de gelo nos polos compilados pelo Centro Nacional de Informação de Gelo e Neve dos Estados Unidos (NSIDC), da Universidade do Colorado. Você pode achar os dados completos aqui e os dados tabelados pelo Volt aqui.

O NSIDC tem uma ótima ferramenta comparativa sobre as tendências de concentração de gelo e de formação de gelo marítimo dos dois polos.

Para a impressionante história do colapso da plataforma de gelo Larsen B, em 2002, a Nasa conta como isso aconteceu.

Códigos

Os códigos utilizados nesta pesquisa estão disponíveis para download aqui, na página do Volt no GitHub.

Para entrar em contato, envie um e-mail para a gente:     info [a] voltdata.info

Feito por @ProjetoStock em setembro de 2015.